segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

Festa para ninguém.

Sábado, 1 de Dezembro de 2007, meu avô fez aniversário. Acho que 92, 93 anos. Não sei ao certo porque não participei da festa.

As festividades foram realizadas aqui, no terreno da minha casa. Mas eu não fui para fora ficar com os convidados -- meus parentes. Não conversei com meus primos, não ri dos meus tios, não abracei meus avós. E o pior de tudo: esqueci de dar os parabéns ao aniversariante.

Hoje, na madrugada de domingo para segunda, estava vendo as fotos da festa. Numa delas eu estava presente: a foto dos primos; minha mãe praticamente me arrastou do meu quarto para que eu aparecesse na foto. Coloquei o braço por sobre os ombros de um de meus primos - que já foi um bom amigo - e sorri para as câmeras, apenas para desaparecer depois dos flashes. Mas isso não vem ao caso. O caso é que, vendo esta e outras fotos eu comecei a me questionar sobre o por quê de eu não ter feito parte daquilo. A desculpa de sábado era que eu não gostava dos meus parentes por parte de pai - e na verdade eu me sinto inibido ao lado deles, isso é fato - e, por isso, não queria fazer parte da festa. Por isso me escondi e fiquei lendo o livro 'Buda', de Deepak Chopra. Assim como ele, eu reneguei a minha família, naquele dia. Mas ele tinha seus motivos mágicos e superiores, e eu não.

Parando pra pensar, a primeira coisa que eu notei é que eu não queria que nenhum deles me visse. Não porque eu sou tímido (só um pouquinho, vai), mas porque eu estava um lixo. Aliás, estou um lixo. Me ver hoje no espelho não é algo agradável. Mas havia algo além disso: eu temia não ter nada para lhes contar. Eu os vejo muito pouco, logo devia ter muito o que dizer e muito o que ouvir. Mas a verdade é que o meu ano foi vazio como um côco sem água. Não evoluí como ser humano, não fiquei mais rico e nem mais próximo de me tornar rico. Honestamente, hoje eu não teria condições de me sustentar. Não estou na faculdade, não tenho saído muito e nem estou trabalhando também. Minha vida é um poço de vazio. Em síntese: chame-me de inútil.

O fato é que eu não queria que eles me vissem nesse estado deplorável. Eu sou o neto homem mais jovem da família, enquanto meus primos adolescentes se divertiam eu brincava com carrinhos. Isso sempre me entristeceu, e até hoje complica minha relação com eles. Às vezes um de meus primos tenta ser gentil comigo e eu me sinto péssimo por não fazer o mesmo com eles. Isso me fez pensar, e pensar muito.

No final do ano nós olhamos para trás e catamos as boas e más lembranças. Vemos quanto dinheiro temos no bolso e, então, contabilizamos todas as moedas que deixamos cair pelo caminho: todos os feitos que deixamos de fazer, todas as maravilhas que deixamos de provar. Meu amigo, no final do ano nós devemos pensar em nossas vidas, nossos destinos. Mas pensar não é suficiente. Vamos fazer algo, algo que queríamos ter feito e não fizemos. Por quê deixar até o próximo ano, se podemos fazer hoje mesmo?

Bem, eu farei algo. Podem ter certeza.

1 Comentários:

Anonymous Anônimo disse...

hm.. bem depressive mesmo esse post.. =x

mas nao adianta ficar soh reclamando o/ tem q agir tb!!!

Te adoro! ;**

4 de dezembro de 2007 às 21:19  

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